22 de julho de 2012

A TRAVESSIA CONGELANTE, entre Urubici e Bom Jardim da Serra do KOT (Keep on Trekking)

Segue relato do grupo que se aventurou na travessia entre Urubici e Bom Jardim da Serra passando, principalmente, pelas grandes altitudes da Serra Geral no Parque Nacional de São Joaquim. Foram três dias em que o grupo mais o guia da Graxaim, Sérgio Sachet Júnior, sentiram na pele o frio da região. Maravilhosas paisagens, muita aventura, espírito de equipe e histórias incríveis para contar.
Muito legal ter feito parte dessa aventura, KOT. Valeu!



"Nossa equipe KOT (Keep on Trekking) partiu no último dia 07 de junho para uma travessia na serra catarinense, uma das regiões mais frias do estado. Estávamos monitorando as previsões de temperatura diariamente nas últimas duas semanas que antecediam a mini expedição. Escolhemos Urubici por ser uma região de paisagens incríveis, por ter as montanhas mais altas de Santa Catarina e principalmente por conta do frio. Uma travessia de 3 dias por lá contribuiria e muito para nossa preparação. Mas na última semana antes da travessia a previsão começou a mudar radicalmente oferecendo informativos de temperaturas negativas, vento e sensações térmicas muito semelhantes às mais altas montanhas dos Andes. Novamente perfeito para nossos treinamentos, mas ainda não estamos com os melhores equipamentos. Continuamos na busca de parceiros que queiram apoiar o KOT neste projeto rumo ao Potosi e Aconcágua.



Caminho até Urubici



Mas voltando a Urubici, saímos de Blumenau por volta das 5h45 da manhã do dia 07/06 já com a consciência de que enfrentaríamos um frio extremo. No momento da saída, a temperatura estava na casa dos 13 graus em Blumenau. O trajeto até Urubici é muito bonito passando por cidades como Ibirama, Rio do Sul, Ituporanga e Alfredo Wagner. Literalmente subindo a serra, pois Blumenau está a 21m acima do nível do mar e Urubici a uma altitude de 915m.
Rodamos por mais ou menos 245km. Chegamos na cidade por volta das 9h30 e fomos direto ao encontro de nosso guia Sérgio Sachet da Graxaim Ecoturismo. Sempre realizamos trilhas e travessias com a orientação de guia, pois por mais que estejamos preparados, sempre é bom contar com profissionais que vivem na área, no ambiente em que estaremos circulando, pois em caso de emergência, este tipo de experiência pode fazer a diferença. Assim sendo, preenchemos a papelada, seguimos as orientações de segurança do Parque Nacional São Joaquim, subimos na van e fomos diretamente para o ponto de partida em um dos postos de fiscalização do parque.


Início da caminhada


Começando a travessia

Logo no início da travessia já encontramos pontos de sombra com plantas congeladas e restos de geada, só que o detalhe é que a hora que partimos já passava das 10h40 e o sol estava a pico, com temperatura em torno dos 10 graus. Durante toda a travessia pegamos muita oscilação de temperatura entre sol, sombra, dia e noite. Amanhecer mesmo, nem se fala. Mas conto isto mais para frente.
Em nosso ponto de partida já estávamos com 1353m de altitude. O primeiro dia foi forte. Tivemos um acúmulo de subida de 608m e 507m de descida. O ponto mais alto foi quando alcançamos os platôs nos Campos de Santa Bárbara. Em todo trajeto encontramos pontos com gelo em sombras, mesmo com sol forte. Almoçamos um lanche em um antigo cemitério já abandonado e sem corpos, rsrs!!! Mas ruínas permaneciam como atração turística. Neste ponto, alcançamos 1685m de altitude, porém voltamos a reduzir para alcançar o primeiro acampamento (camp 1), próximo ao Rio Pelotas e a uma antiga estação de criação de trutas. O total percorrido neste primeiro dia foi de 13km.



Primeiro dia da travessia

TRACKLOG para GPS – 1º dia: http://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=2950901







Montamos acampamento e o sol começou a se por. A temperatura despencou. Onde caminhávamos com 11 graus, 13 graus positivos, foi só o sol ir embora para os termômetros marcarem 3, 4 graus positivos para daí em diante, irem caindo de hora em hora até alcançar temperaturas negativas antes das 22h, 23h. O amanhecer foi doído. O limite suportável considerando que tínhamos equipamentos que suportavam temperaturas de até -8, foi até umas 5h. Daí em diante, com o ponto de orvalho e a geada pegando forte fora e DENTRO da barraca, ficava difícil finalizar o sono. A temperatura nos 2 dias de travessias atingiu uma variação de -10 graus e -11,5 graus no seu limite. Praticamente insuportável, pois não esperávamos este extremo. Estávamos preparados para o frio negativo inclusive, mas neste feriado Santa Catarina atingiu temperaturas recorde nos últimos 20 anos. Sorte é não termos enfrentado ventos fortes, o que nos traria condições ainda mais adversas com a sensação térmica. Apesar que com a humidade do ar relativamente alta, o frio em SC torna-se ainda mais doído, com a sensação chegando a -15C aproximadamente.



Geada em Santa Catarina







No segundo dia, no amanhecer com café tomado e barracas recolhidas, partimos para a segunda caminhada ou segunda etapa de nossa travessia. O cenário estava cada vez mais lindo e no decorrer do segundo dia, já começamos a avistar de longe o Morro da Igreja, praticamente nosso destino final. A ansiedade tomou conta, pois junto do Morro da Igreja estavam as bordas, os cânions e sabíamos que este seria um dos principais momentos de toda a travessia, afinal nas bordas atingiríamos altitudes em torno de 1800m com paredões entre 500 e 1000m.
No geral, o segundo dia foi mais tranquilo e percorremos cerca de 6km margeando o Rio Pelotas, sem pressa alguma, aproveitando o ambiente, curtindo os amigos, a caminhada, fazendo muitas fotos já pensando em nossa exposição fotográfica, enfim, estávamos sem grandes obrigações de velocidade ou tempo. Assim, administramos bem este percurso e chegamos cedo ao segundo acampamento, na antiga sede da Fazenda Caiambora. O lugar era fantástico, às margens do Rio Pelotas, cercado por montes e campos e bem mais aberto que o primeiro acampamento. Desta forma, estaríamos mais expostos aos efeitos da geada. E foi o que aconteceu. A segunda noite foi ainda mais congelante e nossas barracas, botas e acessórios que ficaram fora, acordaram congelados. O amanhecer e o primeiro contato com o SOL era mágico. Um efeito energético que poucas vezes presenciamos. O frio até ele aparecer era intenso e alguns de nossos trekkers no segundo dia, tiveram a impressão ou sensação de estar com os dedos do pé congelando. É muito, mas muito doído e a chegada do sol revertia este quadro rapidamente, renovando o corpo e nossa disposição.


Mapa mostrando o percurso do segundo dia de caminhada

TRACKLOG para GPS – 2º dia: http://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=2950901



Fina camada de gelo sobre as barracas


Manhã fria nos Campos de Santa Bárbara em Santa Catarina

Partimos então para nosso último e terceiro dia. Também um dia muito tranquilo de caminhada com no total, quase 8km de trajeto. Percorremos num primeiro momento cerca de 2,5km até chegar num local onde deixamos nossos mochilões pesados (média de 20kg) e fizemos um mini trekking sem mochilas, apenas com alimentos, bastões e máquinas fotográficas até às bordas. Este foi um momento fantástico, até porquê fomos abençoados com 3 dias de muito sol. Brincamos inclusive que devemos ter visto umas 2 ou 3 nuvens nestes 3 dias. Rsrs!! De qualquer forma, todo este astral contribuiu para o sucesso de toda esta mini expedição. Chegamos nas bordas e principalmente as mulheres se sentiram muito realizadas, pois estavam realizando sua primeira travessia. Um desafio enorme para elas que não faziam parte deste mundo do trekking, mas que vem se apaixonando cada vez mais.





TRACKLOG para GPS – 3º dia: http://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=2950899


De longe, das bordas, avistávamos o Morro da Igreja agora bem mais perto e como era feriado, o topo do morro estava repleto de turistas. Mudamos um pouco nossa chegada no final para escapar desta “muvuca de gente”. Do alto dos cânions era possível avistar municípios próximos a Urubici, como Bom Retiro, Alfredo Wargner entre outros. Um outro ponto muito visto e esperado por turistas no topo do Morro da Igreja era a Pedra Furada e nós, de um ponto de vista raro para muitos, avistamos a pedra com certo privilégio junto.





Paisagens incríveis do último dia



Daí em diante, seguimos para o último trecho, retornando para onde estavam nossas mochilas. Nos alimentamos, nos hidratamos e seguimos viagem rumo ao destino final, o Morro da Igreja, mais precisamente o Morro da Antena que fica ao lado do da Igreja. Isto por conta do alto movimento de turistas no Morro da Igreja, conforme citado anteriormente. Neste trecho, tivemos um pouco mais de obstáculos, pois necessitamos entrar em mata fechada e com mochilões de 20kg aproximadamente não foi nada fácil. E mesmo sendo 14h aproximadamente, em áreas de sombra avistávamos gelo, muita geada ainda persistente e que provavelmente, iria virar noite congelando ainda mais os Campos de Santa Bárbara. Mas, tudo necessário e superado. Chegamos no topo do morro por volta das 15h do dia 09/06 e lá, já se encontrava nossa van que nos levaria de volta até o centro de Urubici. A sensação foi a melhor possível com uma energia inexplicável de conquista. Vale muito lembrar a todos que nosso projeto visa tirar as pessoas da zona de conforto, buscando motivar para o esporte, incentivando a prática de trekking e montanhismo com responsabilidade. O trekking oferece oportunidades únicas de contato com a natureza e toda sua exuberância, possibilitando ainda mais motivos de reflexão em prol da preservação.



TRACKLOG para GPS: http://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=2950896

Assim como inúmeras regiões do Brasil, Santa Catarina e o Sul do Brasil tem muito a oferecer para os aventureiros de plantão e nós do grupo KOT (Keep on Trekking), através desta parceria com o Portal Trekking Brasil, temos a oportunidade de evidenciar estas belezas naturais.
Para finalizar, testamos nesta travessia alguns equipamentos patrocinados pela Warfare Adventure, entre eles as botas da Hi-Tec. Ficamos extremamente satisfeitos. As botas surpreenderam positivamente oferecendo muita aderência e segurança, além de uma impermeabilidade fantástica. Um review das botasRapid Trail e Buxton podem ser conferidos diretamente aqui no Trekking Brasil".



Conheça o projeto KOT 6000+ com o objetivo de alcançar o topo das américas, o Aconcágua e também o Huayana Potosi na Bolívia. Acesse nosso blog e facebookwww.grupokot.com
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Email: grupokot@gmail.com
ABRAÇOS!!
KEEP ON TREKKING!! Always!!
Juliano P. Sant’Ana (KOT)
Blumenau – Santa Catarina

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